O hub digital de inovação no setor elétrico

Programa P&D completa 20 anos com quase 8 bilhões de reais investidos

Entenda o percurso do investimento em inovação e confira dicas sobre como submeter um projeto para o programa.

O programa para promoção de projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) completou 20 anos na última sexta-feira, 24 de julho. Desde o lançamento do programa, foram investidos R$ 7,62 bilhões em projetos de P&D entre os anos 1999 e 2019.

A aprovação da Lei nº 9.991/2000 abriu a possibilidade das empresas do setor elétrico investirem em projetos de inovações tecnológicas, acompanhando as transformações do mercado de energia iniciado nos anos 90.

No contexto de mudanças, está a adoção de um novo papel pelo Estado, que passa de investidor para regulador, incubindo a nova responsabilidade de investimento às empresas.

A nova atuação é resultado da crise econômica iniciada na década anterior, que culmina na redução de financiamento estatal por conta do endividamento público. Um processo de transferência, que se inicia com a privatização de empresas estatais em meados da década de 90.

De lá pra cá, intensificam-se as transformações no setor elétrico, em um contexto de transição energética sintetizada pelos 3Ds: Descarbonização, Digitalização e Descentralização.

A inovação passa a ser vista como essencial para gerar oportunidades aos diversos segmentos do setor, além possibilitar a articulação de uma agenda de desenvolvimento setorial. E o programa de P&D é o instrumento para fomento das soluções inovadoras.

“O investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) é fundamental para avançarmos na modernização do setor elétrico. A partir da inovação, pode-se maximizar a capacidade tecnológica do setor e dinamizar sua atuação com o desenvolvimento de novos métodos e produtos, que além de trazer ganhos de produtividade, impulsionam o crescimento econômico”, afirmou a diretora da ANEEL Elisa Bastos.

Com recursos anuais na faixa de R$ 500 milhões, em 20 anos, o investimento resultou em cerca de 325 patentes e registros de propriedade intelectual, 1.200 títulos de pós-graduação e mais de 3,9 mil artigos científicos e trabalhos publicados.

De acordo com a lei, as empresas do setor elétrico devem obrigatoriamente alocar 1% de sua receita operacional líquida (ROL) em programas com o objetivo promover a inovação no setor. 40% desse valor é direcionado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, 40% fica sob discricionariedade da empresa (regulado pela ANEEL), enquanto os 20% restantes vão para o Ministério de Minas e Energia.

Entraves para o investimento

Apesar do grande volume de recursos, empresas e proponentes encontram dificuldades para as parcerias. Do lado das companhias, o desafio está na busca por projetos mais amadurecidos na cadeia de inovação, que atendam aos anseios de seus negócios e do mercado de energia.

Já para os proponentes, os entraves estão no acesso às empresas e às chamadas centralizadas, bem como fazer a adequação dos projetos às necessidades estabelecida no Manual de P&D da Aneel.

Nesse sentido, surgiu o Energy Future com o propósito de conectar as soluções inovadoras às oportunidades do mercado de energia.

Compreendendo os desafios das empresas e proponentes, o Energy Future oferece seu olhar de especialista para contribuir na qualificação das soluções e na criação de um ecossistema de inovação no setor elétrico.

A 1a edição da seleção setorial de inovação aberta está na última fase, com previsão de divulgação dos resultados em 10 de Setembro.

Dicas para submeter um projeto de P&D

Os investimentos em P&D são realizados diretamente pelas empresas do setor elétrico. Os projetos devem atender aos requisitos do Programa de P&D regulado pela ANEEL.

Assim, separamos algumas dicas para orientar a aplicação do projeto ao programa de pesquisa e desenvolvido da agência reguladora.

Dica 1: entenda quais são as necessidades das empresas e de seus clientes. É preciso garantir que a proposta do projeto esteja alinhada aos interesses das empresas e do setor elétrico.

No site da ANEEL, é possível identificar uma lista de temas que orientam os projetos à estratégia setorial. Além disso, as próprias empresas disponibilizam nos seus sites direcionamentos às propostas que queiram se inscrever.

No portal do Energy Future, você tem acesso às seis categorias da primeira seleção setorial de inovação aberta em parceria com a 6 grandes empresas do setor elétrico.

Dica 2: apresente uma solução de um problema real do mercado de energia. Investigue os desafios do setor e seja assertivo na sua proposta de valor para as empresas.

Dessa maneira, você aumenta a sua chance de aprovação, a partir de uma solução tecnológica ou científica, que atenda de imediato uma necessidade do setor, fortalecendo a ideia de urgência da sua proposta para o mercado.

Dica 3: leia o Manual do Programa de P&D da Aneel. Parece óbvio, mas uma leitura atenta do manual evitaria muitos problemas, como glosa de pagamentos.

Não adianta ter uma boa ideia, se a sua proposta não atende os requisitos exigidos. Acesse aqui o Manual do Programa.

Dica 4: busque parcerias. As empresas estão atrás de projetos que estejam mais maduros na cadeia de inovação. Você precisa mostrar que está pronto para o mercado.

Assim, analise a concorrência e estabeleça parcerias que deem corpo e viabilidade à sua proposta.

Seguindo essas dicas, você estará pronto para apresentar seu projeto ao setor elétrico e, quem sabe, em uma próxima seleção do Energy Future.

Total
0
Shares
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Total
0
Share